Saturday, December 02, 2006

Legado



(para Soraya)

Quero deixar essas palavras contigo
como um legado de minha vida.
Que te sejam leves como a brisa.
Um toque suave em teu rosto
quando andares na rua de nossos passeios.

Quero deixar essa saudade sutil
guardada em teu peito, sem dor.
Só a carícia das palavras ao vento.
Que ele as leve, soltas, à vontade,
que dancem no ar que respiras.

Quero ficar assim, quase esquecido
de tão dentro de ti que me encontre.
Uma presença branda e poderosa.
Completamente integrada em tua alma
para que eu possa, enfim, ser todo teu.

Rio, março de 2006.

4 Comments:

Blogger Paulo de Tarso said...

Esse teu poema, lindo, que fala em "ficar assim, quase esquecido de tão dentro de ti que me encontre" , me fez lembrar um que escrevi em 1992, por falarem dessa mesma coisa do estado de "fusão" em que nos sentimos, quando apaixonados.
Havia prometido não publicar minhas poesias, pela absoluta mediocridade delas; mas, de resto, o que não é medíocre em nós... Que seja! Lá está...

4:00 PM  
Blogger Saramar said...

Menino, o poema é de arrepiar!
Essa maneira de ficar tão dentro do outro ser que nem chega a ser percebido é a própria tradução do amor.
Muito bonito! Estou encantada. Graças ao Paulo que me indicou essa maravilha.

5:16 PM  
Blogger ipaco said...

Pualo, vou correndo lá ver! Não acredito em mediocridade em alguém que tem uma prosa como a sua. Dou força para que vc publique suas coisas.

Saramar, bem-vinda! a casa é sua!

6:06 AM  
Blogger Camaleoa said...

como é lindo isso. ficar dentro do outro desse jeito é pura felicidade. tem gosto de chuva em dia de sol e arco-íris.

5:37 PM  

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