Tuesday, December 05, 2006

Mariposas (fragmento)



Era tão frágil como um passarinho. Olhar ciscando, impreciso, procurando saídas. Respirava sua sina de ninfa e escondia o medo na languidez dos gestos, nas palavras de obscenidade óbvia. Exalava um perfume barato. Os cabelos, duros de tanta tinta, eram de cores improváveis, tom sobre tom de muitas camadas, como as histórias de seu dia-a-dia, que se sucediam rapidamente. Mas eu a via sempre menina, Joana D’Arc a caminho da fogueira. Perdido num turbilhão de dúvidas, não sabia se a devorava ou a salvava de uma vez por todas. Era ela quem decidia, afinal, quando me despia a alma e, assustada como um passarinho, me engolia.

4 Comments:

Blogger Paulo de Tarso said...

Nada mais masculino:

Elas passarinhos; nós gaviões.
Elas presas; nós predadores.
Elas vítimas; nós salvadores.
Elas comidas; nós comedores.
Elas fodidas; nós fodões.

Nada mais feminino:

Elas mandando; nós servindo.
Elas jogando; nós joguetes.
Elas manipulando; nós objetos.
Elas abocanhando; nós engolidos.
Elas passarinhos; nós filhotinhos.

5:56 AM  
Blogger ipaco said...

Exatamente, Paulo!

7:00 AM  
Blogger Saramar said...

Lindo e doce pássaro de sustos, apesar da vida!

beijo

1:00 AM  
Blogger ipaco said...

Pois é...

7:20 AM  

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